Narrador de futebol quase foi agredido por torcedores do São Bento


Carlos Batista foi ameaçado por alguns torcedores do São Bento por causa da forma que narrou o gol da Ponte Preta.

O narrador de futebol Carlos Batista da Rádio Bandeirantes de Campinas passou por apuros em um domingo quando estava narrando a partida de futebol entre o time do São Bento e o time da Ponte Preta, e no intervalo do jogo, um torcedor do São Bento foi até a cabine onde Carlos Batista estava e o ameaçou dizendo que se narrasse o gol do São Bento de forma diferente, Carlos ia sofrer as consequências.

Em uma entrevista concedida para o site Uol, Carlos Batista relata que quando começou a gritar “gol”, percebeu que a torcida poderia ir para cima da cabine onde estava, foi então que o narrador se abaixou e terminou de gritar o gol escondido da torcida.



Marcelo Alcântara Rodrigues (31), estudante de Rádio e TV, diz que ninguém deve ser ameaçado em seu ambiente de trabalho, e que tudo o que nós vivemos hoje, essa intolerância e desrespeito é reflexo da nossa sociedade, dizendo que “não tem como a gente mensurar se isso foi feito por parcialidade ou se foi um fato imparcial, eu sei que ele está no ambiente dele de trabalho e eu sou totalmente contra as ameaças feitas em qualquer ambiente de trabalho, mas como nós vivemos hoje uma sociedade assim e o futebol ou os outros esportes também são movidos por paixão, as pessoas se veem no direito de ‘se eu não for a favor do seu time, eu sou contra o seu time e consequentemente eu sou contra você’, até mesmo pegando essas pessoas que trabalham nesse meio, como repórteres, narradores e comentaristas”, desabafa Marcelo.

Mesmo sofrendo essas ameaças, os narradores só escolheram essa profissão porque gostam do que fazem, e, em alguns momentos essa vontade de mostrar para o ouvinte a sensação de estar no estádio assistindo ao jogo vai ser demostrado uma paixão diferente por um time do que com o outro time.

Mas, o narrador Doni Vieira, que atualmente trabalha na Band Sports, na Top FM e é locutor comercial da Alpha FM, conta que padronizou a forma que narra os gols de todas as equipes depois de sofrer algumas ameaças, dizendo que em todos os jogos ele faz “uma narração só, é empolgação total em todos os lançes”, conta Doni. Juliana Souza (18), que gosta muito de futebol, desabafa sobre a forma que as pessoas são julgadas no seu ambiente de trabalho, alegando que “a pessoa trabalha do jeito que ela acha que é o correto, e não é justo sofrer ameaças em qualquer tipo de trabalho”.

A profissão de jornalista já é de risco, porque é um ser humano que transmite uma notícia e tem que ser, ou tentar ser, 100% imparcial, não demonstrar seus sentimentos e muito menos a sua opinião. Quando esse jornalista ou uma pessoa qualquer se torna um narrador de futebol e já tem um time de coração, é inevitável que esse narrador grite com mais entusiasmo o gol do seu time preferido. Mas, com muito treino e estudo, esse narrador pode sim aprender a separar o trabalho do lazer, afinal de contas, o torcedor não perdoa e pode vir a acontecer essas ameaças.


Unknown

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